terça-feira, 26 de outubro de 2010

Freela JC do Vale: Forasteiros escolhem o Vale

]ESTUDANTES
Forasteiros escolhem o Vale
Publicado em 02.02.2009



Jovens de fora que passam a frequentar faculdades da região conquistam responsabilidade e colecionam histórias

Anny Gomes
Especial para o JC-Vale

Eles chegam sem muita experiência em relação aos afazeres domésticos, enfrentam noites maldormidas e os dias de sol forte tão característicos do Vale do São Francisco. Esse tem sido o perfil dos universitários que vêm de outras cidades do Brasil e buscam as universidades da região para estudar.

Eles são, em sua maioria, baianos e pernambucanos. Em alguns cursos, como o de medicina, considerado o mais concorrido no último vestibular de Pernambuco, alunos com esses perfil ocupam 70% das vagas, segundo dados da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). Jovens que deixam para trás as facilidades e mimos das casas dos pais e levam para suas vidas não apenas lições de responsabilidade, mas também boas histórias.

Ranieiri Paes, do sétimo período de engenharia elétrica da Univasf, é da cidade de Campo Alegre de Lurdes, no Estado da Bahia. O estudante mora sozinho em um apartamento perto do campus, em Juazeiro, mas nunca se sente só. “Meu apartamento sempre tem uns dois ou três agregados. Amigos que vêm uma noite para conversar e acabam ficando uma, duas semanas”. Paes pensa em se mudar para uma casa, tendo, assim, mais espaço para os “agregados” e para as reuniões festivas que promove. Mesmo com esse fluxo de pessoas na sua residência, ele garante o conforto. “A casa é limpinha. Meus amigos ficam até impressionados com a organização”, conta.

ALIMENTAÇÃO

Aprender os segredos da cozinha se torna um desafio para muitos estudantes. “No começo eu queimava até Miojo. Hoje já consigo fazer um arroz soltinho”, afirma Raysa Gomes, estudante do terceiro ano de publicidade.

Há alguns que preferem não se arriscar nessa área e recorrem aos restaurantes de uma das cidades. “Já comi em todos os restaurantes populares. Faço um rodízio para não enjoar da comida”, explica Ivaldo Junior, de Xique-Xique, na Bahia, que estuda medicina e está no Vale do São Francisco há seis meses.

Já Joselito Filho, estudante do primeiro semestre de medicina, divide um apartamento com um colega de curso em Petrolina, e optou em contratar uma empregada doméstica. “O curso de medicina exige muito e acabamos sem tempo para nada. Uma empregada traz mais tranquilidade, já que não preciso me preocupar em preparar almoço ou limpar a casa”, justifica.

Porém, quando chega a hora das compras mensais, Joselito, que é de Recife, se impressiona com o custo dos produtos na cidade. “As coisas aqui chegam a ser mais caras que no Recife e isso a gente não espera de uma cidade do interior”, comenta.

Mas, sem dúvida, de todas as queixas dos estudantes do Vale, as maiores são referentes ao clima. “Parece que tem um sol para cada pessoa aqui em Petrolina”, brinca.